UM COMEÇO, MELHOR ESQUECER...
Tinha uns oito anos de idade, mais ou menos, sei lá...
Minha mãe tinha saído e fiquei com minhas irmãs, uma delas chamou a amiga para brincar, enquanto as outras foram sair...
Isso me vem como flash, parece verdade, parece mentira, mas sinto ainda os arrepios, a pele aquecida, os lábios começam a vibrar, é como se estivesse sendo agora...
Por um instante me senti suavizado, como se todo o peso do mundo saísse de dentro de mim, uma alegria incontida e eu queria mais...
Já nem sei se a sensação é fantasia, pois a cada vez que lembro e pela primeira vez conto, me invade sensações diferentes, mas em todas um agradecimento.
Como se a natureza ali, naquele instante tivesse falado mais alto.
Como desfrutar de um alimento pela primeira vez e sentir o sabor do melhor "manjar".
Que a vida me trouxe mágoas, de gente, de atos de instantes, este momento não trouxe mácula, só me espanta não poder espalhar para todos, pois se era tão bom e se foi tão bom, é igualmente persuadido a ser um "erro".
De onde vem a ideia de que erro é o que faz mal e se faz bem, não deveria ser erro..
Não estamos e não estou preparado para tal situação e discussão.
O bem que me fez foi aprender e entender o momento crucial da vida humana, aquele instante que vale a pena ser, humano...
Me influenciou na construção, na minha construção de ser, na minha intuição de perceber o ser...
Como não agradecer ao momento em que o "erro" me fez tão feliz e me iniciou, sem dor...
São histórias que ninguém quer contar, que todos querem esquecer...